Clube de revista ACMFC, maio de 2018

Dentre outras funções, o grupo de WhatsApp dos médicos de família e comunidade do Espírito Santo abriga uma espécie de clube de revista. Os integrantes do grupo compartilham evidências científicas interessantes na medida em que as encontram (ou redescobrem), o que frequentemente dispara uma discussão sobre o tema. Às vezes é o contrário: seus integrantes compartilham evidências científicas de que já tinham conhecimento, ou que acabaram de buscar, para responder a alguma discussão que esteja acontecendo no grupo.

Estes foram alguns dos artigos que geraram maior interesse, durante o mês de maio de 2018:

  • Discutiu-se a segurança, eficácia e força das evidências para os inibidores da enzima conversora da angiotensina (iECA) e bloqueadores do receptor de angiotensina II (BRA) no tratamento da hipertensão arterial sistêmica, com base em uma revisão narrativa recente (https://doi.org/10.1016/j.jacc.2018.01.058), uma revisão sistemática Cochrane (https://doi.org/10.1002/14651858.CD001841.pub3) e outra revisão sistemática (https://doi.org/10.1001/jamainternmed.2014.348). Em resumo, os iECA têm mais efeitos adversos do que os BRA, especialmente tosse, mas as evidências para sua eficácia são mais sólidas.
  • Uma nova revisão sistemática concluiu que os níveis basais de colesterol HDL modificam o efeito dos inibidores da HMG-CoA redutase (estatinas) na prevenção de eventos cardiovasculares maiores: https://doi.org/10.1001/jama.2018.2525. Essa conclusão vai na contramão do entendimento do Cholesterol Treatment Trialists’ Collaboration: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(14)61368-4. Enquanto o estudo antigo tem a vantagem de analisar dados de participantes individuais, o estudo recente incluiu novas pesquisas que parecem ter feito a diferença.
  • A US Preventive Services Task Force atualizou suas recomendações quanto ao rastreamento do câncer de próstata, recomendando uma decisão caso a caso entre os 55 e os 69 anos de idade: https://doi.org/10.1001/jama.2018.3710. Como de costume, a recomendação foi baseada em uma revisão sistemática encomendada para responder às questões-chave: https://doi.org/10.1001/jama.2018.3712.
  • As diretrizes para rastreamento de câncer costumam estipular uma idade máxima, que na verdade é uma média populacional mas pode ser negociada individualmente. Alguns médicos não se sentem à vontade para tomar decisões clínicas baseadas na expectativa de vida das pessoas, e naturalmente há uma pesquisa sobre isso: https://doi.org/10.1001/jamainternmed.2016.0670.
  • Uma revisão sistemática recém publicada corroborou a eficácia do mel para alívio da tosse aguda em crianças a partir de um ano de idade: https://doi.org/10.1002/14651858.CD007094.pub5. Discutiu-se ainda a posologia do mel e a relevância da flor (p. ex., manuka).
  • Criou-se um novo escore de risco cardiovascular na Nova Zelândia, utilizando dados de pacientes da atenção primária: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(18)30664-0. Como seria possível fazer isso no Brasil?
  • Com toda a discussão em torno da suplementação de vitamina D, a única intervenção com evidências ao menos moderadas de eficácia para prevenir quedas em idosos são os exercícios físicos: https://doi.org/10.1001/jama.2017.21962. Como consequência, a US Preventive Services Task Force recomendou que idosos com risco aumentado de quedas sejam rotineiramente orientados a fazer exercícios físicos, enquanto a prescrição de intervenções multifatoriais depende de um julgamento caso a caso: https://doi.org/10.1001/jama.2018.3097.
  • Este que vos escreve publicou um artigo sobre a utilização de unidades básicas de saúde conforme a cobertura por plano de saúde ou cartão de desconto: https://doi.org/10.11606/S1518-8787.2018052000383. Uma das implicações do estudo é a possibilidade de ajustar o tamanho da população adscrita a cada equipe da estratégia Saúde da Família sabendo-se qual proporção da população está coberta por planos de saúde.
  • Considerando as evidências de benefício da estratégia Saúde da Família e do Programa Bolsa Família para a saúde de crianças menores de 5 anos de idade; e considerando que ambos terão reduções em seu orçamento em função da política de austeridade fiscal (contenção de gastos) da União; estimou-se o impacto dessa política na mortalidade e nas taxas de internação em crianças menores de 5 anos de idade: https://doi.org/10.1371/journal.pmed.1002570.
  • O antidepressivo mais utilizado para insônia carece de evidências: https://doi.org/10.1002/14651858.CD010753.pub2. De volta à conversa dos paraquedas?
  • Um editorial de 2009 sobre a análise crítica de diretrizes clínicas (https://www.aafp.org/afp/2009/0701/p67.html) suscitou um debate sobre as diversas atitudes dos médicos com relação às diretrizes clínicas e mesmo às evidências clínicas.
  • Distribuíram-se ainda os slides e endereço de e-mail dos palestrantes da décima Jornada Capixaba de Medicina de Família e Comunidade.

Se você ainda não faz parte do grupo, associe-se e envie um e-mail à ACMFC pedindo sua inclusão.

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